Escrevo textos curtos, longos, tristes, felizes, sobre mim, sobre ninguém, sobre a vida, sobre tudo. E não porque eu precise que alguém apareça para me elogiar ou dizer que estas palavras que jogo no meio de um bloco de notas qualquer são bonitas aos olhos de quem vê. Não quero fama, nem elogios. Quero ser a mesma menina que a tempos escreve para poder soltar de si o que a sufoca. Mesmo que as histórias sejam falsas, que a dor seja exagerada ou que tudo não passe de uma farça. Escrevo porque isto libera qualquer sentimento - ruim ou bom - do meu inconsciente. Você não entenderia, mas estas palavras tristes que às vezes se encontram nestas páginas, vem lá do fundo da minha alma. Não vem da superfície onde sei que há sorrisos e muita felicidade. Mas eu gosto de dar espaço para este pedacinho lá no fundo que sente que falta algo, que precisa de mais para sorrir. E eu o liberto para dizer, aqui, tudo que ele sente lá dentro. E eu acredito que todos deveriam fazer o mesmo. Este é o melhor jeito de acalmar a tristeza oculta e impedí-la que apareça em um dos seus momentos felizes, e estrague tudo mais uma vez.
Já me chamaram de depressiva por terem levado muito a sério estas palavras loucas que solto. Mas eu sou feliz e é por isso que eu escrevo. Se um dia eu parar de escrever é porque minha tristeza conseguiu ser maior que a minha vontade de expulsá-la de mim. E aí sim, você poderá se preocupar comigo. Até lá, saiba que estou bem, mesmo que as palavras que escrevo demonstrem que está tudo indo muito mal.
Vanessa Gonçalves.